quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A APARIÇÃO DE MOISÉS E ELIAS NA TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

Por Gilson Barbosa

O propósito da aparição não era outro senão consolar Jesus

O fato de Moisés e Elias conversarem com Jesus legitima a comunicação com os mortos e a reencarnação?

Podemos afirmar categoricamente que os fatos que constatamos no episódio da transfiguração, no monte Hermom (Mt 17.1-3), não fundamentam, de forma alguma, uma sessão espírita ou um processo de reencarnação.

O Antigo Testamento condena a mediunidade, o que, pela hermenêutica, jamais poderia ser diferente nos escritos do Novo Testamento. Transfigurar-se, no caso em questão, significa “mudar de forma”. No monte, Jesus assumiu sua glória celestial (Mt 17.6). Lucas afirma que no encontro de Jesus com Moisés e Elias eles “falavam de sua partida”, ou seja, da morte de Cristo (Lc 9.31). O propósito da aparição não era outro senão consolar Jesus, pois os acontecimentos que o aguardavam eram extremamente angustiantes e demonstrariam a glória de Cristo em seu reino.

Ao contrário disso, a questão da comunicação com os mortos no espiritismo tem outro objetivo. Geralmente, os apelos ou justificativas que levam alguém a perseguir esse “contato” é a suposta necessidade de desenvolver a capacidade de mediunidade que a pessoa acredita possuir. Quando não, se deve à saudade de um ente querido que faleceu. No encontro relatado na Bíblia, porém, não houve quaisquer desses objetivos ou intenções. Podemos afirmar que aquela “reunião” foi exclusiva e não há precedente para a comunicação constante com os falecidos, ou seja, não há nenhuma invocação a líderes mortos, nem no Antigo nem no Novo Testamento. Ademais, é bom ressaltar que os discípulos não conversaram com Moisés e Elias, e muito menos os evocaram, julgando que os tais pudessem, de alguma forma, interceder por eles.

Em relação à reencarnação, o espiritismo a define como sendo o retorno da alma à vida corpórea, o que o texto bíblico desaprova totalmente, pois, se João Batista era a reencarnação de Elias – como classicamente apregoam os espíritas – quem deveria ter aparecido na visão seria João Batista, não Elias, principalmente porque João já havia sido degolado, por ordem do tetrarca Herodes (Mt 14.1-12).

A Bíblia ensina que a alma, após a morte, não vai para outro corpo, como querem os espíritas, mas que vai para o mundo espiritual, onde aguarda a ressurreição. E mais. Para que alguém reencarne é preciso que morra, o que, no caso de Elias, não aconteceu, pois o mesmo foi arrebatado. O texto em destaque, que aparenta ser um problema para os que pregam contra a comunicação com os mortos e a reencarnação, deve ser entendido levando-se em consideração o objetivo da referida aparição, lembrando que os discípulos não tiveram outra possibilidade senão testemunhar esta experiência ímpar. Se os discípulos encontrassem apoio para consultar os mortos, será que essa experiência não lhes daria amparo? Por que, após o ocorrido, eles não colocaram tal experiência em prática? Por que não ensinaram a reencarnação? A resposta não pode ser outra senão a reprovação bíblica quanto estas heresias espíritas.
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